Pastor é condenado por planejar morte da esposa com ajuda da amante em Santa Catarina

Joedison Souza dos Santos, conhecido como Pastor Jota, foi condenado a 29 anos e seis meses de prisão por planejar a morte da própria esposa, Mariane Quele Carmo dos Santos, de 35 anos. O crime ocorreu em 8 de abril de 2021, em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, e teria sido motivado pelo desejo do réu de assumir o relacionamento com a amante, Shirlene da Silva dos Santos, vizinha e amiga da vítima.

O Tribunal do Júri também condenou Shirlene a 20 anos, nove meses e 18 dias de reclusão, além de seis meses de detenção. Lucas Prazeres Fernandes, genro de Shirlene na época do crime, recebeu pena de 18 anos de prisão e mais seis meses de detenção. As sentenças foram anunciadas após um julgamento que durou cerca de 17 horas, no Fórum da Comarca de Itajaí.

Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina, Joedison teria oferecido R$ 2.500 a Lucas e a um adolescente para participar da execução. O pastor não estava dentro do carro usado no ataque, mas, conforme a investigação, acompanhou e coordenou as ações por telefone enquanto os demais envolvidos colocavam o plano em prática.

Mariane trabalhava em uma cafeteria e aceitou uma carona de Shirlene ao sair do serviço. A vítima conhecia a mulher e confiava nela, sem saber que as duas mantinham uma relação de proximidade também por causa do envolvimento secreto entre Shirlene e Joedison. Durante o trajeto, Lucas e o adolescente teriam imobilizado Mariane, que foi atingida por 24 golpes de faca.

Depois do assassinato, o corpo foi levado até a região da ponte que liga Itajaí a Navegantes e lançado no rio Itajaí-Açu. Mariane foi encontrada com as mãos e os pés amarrados, aproximadamente 20 horas após desaparecer. Os envolvidos ainda teriam tentado dificultar a investigação, abandonando e alterando o veículo utilizado no crime para simular um assalto.

O pastor também teria afirmado inicialmente que a mulher havia desaparecido depois de pegar um carro por aplicativo. A versão, no entanto, não convenceu os investigadores. A polícia apontou contradições nos relatos e reuniu elementos que indicavam a participação dos três adultos. Após o corpo ser localizado, os suspeitos chegaram a fugir, mas foram presos em diferentes cidades. Shirlene e Lucas foram encontrados em Recife, enquanto Joedison foi localizado em Itajaí.

Na decisão do júri, Joedison foi responsabilizado por homicídio qualificado, feminicídio, fraude processual, ocultação de cadáver e corrupção de menores. As qualificadoras consideraram, entre outros fatores, o motivo torpe, o uso de meio cruel e a impossibilidade de defesa da vítima. Shirlene e Lucas também foram condenados por crimes relacionados ao homicídio, à ocultação do corpo, à fraude processual e à corrupção de menores.

Os três receberam regime inicial fechado e não tiveram o direito de recorrer em liberdade. O caso causou comoção na comunidade evangélica e entre colegas de trabalho de Mariane, lembrada durante o julgamento como uma mulher bem-humorada, tranquila e próxima das pessoas que conviviam com ela.

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