A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta na noite de domingo, 13 de setembro, no pátio de um condomínio localizado no bairro Aldeota, em Fortaleza. Horas antes, ela havia enviado à mãe, a professora universitária Isorlanda Caracristi, uma mensagem que se tornou o último contato conhecido entre as duas: “Mãe, eu te amo”. A causa da morte ainda não foi oficialmente concluída, e o caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.
Segundo o relato da mãe, Isabelle passou o fim de semana na casa da família e deixou o imóvel no domingo à tarde. A jovem teria informado que participaria de uma missa e de uma procissão ao lado do namorado e de familiares dele. Por volta das 19h, depois de mencionar que estava sentindo dores no pescoço, Isabelle enviou a mensagem de despedida. Isorlanda respondeu que também amava a filha e sugeriu que ela tomasse um relaxante muscular. Depois disso, não recebeu mais respostas.
A preocupação aumentou na manhã seguinte, quando a estudante não retomou a rotina de comunicação com a mãe. Isorlanda também tentou falar com o namorado de Isabelle, mas não conseguiu contato por mensagens ou ligações. Diante do silêncio, foi até o condomínio onde a filha passou a morar com o companheiro e familiares dele. No local, segundo o relato divulgado pela professora, soube que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já tinha sido encaminhado à Perícia Forense do Estado do Ceará, a Pefoce.
As circunstâncias do caso permanecem sob apuração. Informações divulgadas sobre os exames iniciais apontam lesões compatíveis com impacto contra o solo e resultado negativo, até o momento, para substâncias de interesse toxicológico. Esses dados, porém, não determinam sozinhos como a morte ocorreu. Outros procedimentos periciais ainda são necessários, e o laudo cadavérico deverá ajudar a esclarecer a causa do óbito e a dinâmica dos acontecimentos.
A Polícia Civil também analisa imagens do sistema de monitoramento do condomínio. De acordo com informações divulgadas sobre a investigação, quatro pessoas já prestaram depoimento e outras oitivas foram programadas. As gravações podem ajudar a estabelecer os horários de entrada e saída de moradores, além de identificar quem estava no prédio no período anterior à localização do corpo.
Em declarações públicas, Isorlanda afirmou que havia percebido mudanças no comportamento da filha e descreveu o relacionamento como marcado por controle. A mãe também relatou preocupações envolvendo pedidos para uso do cartão bancário de Isabelle e a possibilidade de colocar uma empresa em nome da jovem. Essas afirmações fazem parte do relato da família e ainda não foram confirmadas oficialmente como elementos de um crime.
A OAB do Ceará divulgou uma nota de solidariedade e pediu que a investigação seja conduzida com rapidez, rigor técnico e perspectiva de gênero. A entidade ressaltou que a adoção desse parâmetro não significa antecipar uma conclusão sobre feminicídio ou violência, mas garantir que as circunstâncias anteriores, simultâneas e posteriores à morte sejam examinadas sem culpabilização da vítima ou estereótipos. Até o momento, não houve confirmação oficial de homicídio, feminicídio ou participação de terceiros. A definição dependerá da perícia e do avanço das diligências policiais.